quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Requiem do futuro sem passado

E o velho disse:
"Essa é a primeira flor
Logo as árvores estarão cheias delas".

O Sol acordou, e encontrou a grande árvore
E iluminou a primeira flor nela pendurada
Não qualquer flor
Não havia beleza pendurada na grande árvore
Havia dor
Não a promessa de um recomeço
Havia fim
Não poesia na grande
Havia indiferença
Não havia na árvore
Perspectiva
Só invisível injustiça.

A velha gritou
Chorou para acordar a tribo
E a flor continuou pendurada na árvore
Mórbida flor
Triste flor
Não-flor flor
Flores prometem frutos, sementes e mudas
Não esta
Flores são mães
Esta é filha
Só este monstruoso poeta chamaria a flor de flor
E o velho.

Não chamem o velho de cínico
Não chamem o velho de sádico
Não chamem o velho de indiferente
Chamem-no cauterizado
Quantas primaveras te despertaram com choros, ó velho?

E o velho disse:
"Essa é a primeira flor
Logo as árvores estarão cheias delas".
O Sol acordou, e encontrou a grande árvore.

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