domingo, 1 de novembro de 2009

Eduardo e Mônica

Essa é sobre um artigo que li na Whiplash.
Leia o artigo:
http://whiplash.net/materias/humor/000128-legiaourbana.html

Nunca gostei Dessa música. Acho boba. Não verdadeira o suficiente para multiplicá-la, nem errada o suficiente para execrá-la. Aliás, nem sei por que botei ela aqui. Agora já foi.

***B.O.F.

Sabe, eu vejo diferente.
Claro que o Renato Russo exagerava, como todo "artista engajado" no nosso culto nacional à mesmisse*. Mas "Eduardo e Mônica", pra mim, tem um ar de crônica... Se ela era o ícone de superioridade que tá explícito na letra, por que ela ia querer "catequizar" o boyzinho (palavra que, dependendo da região, pode NÃO significar playboy)? Será que ela não precisava de alguém inocente para se sentir superior o tempo inteiro?
Isso é a cara dos anos 80 (e eu me lembro) onde a onda de "contestação cultural" já havia sido completamente absorvida pelo mercado e podia ser consumida por qualquer "poser".
O feminismo era uma dessa formas de contestação, que no passado tinha dado cadeia, morte e ostracismo, mas que em 86 ai de quem discordasse dele em público. Os homens, mesmo homossexuais como Renato, achavam que tinham a obrigação de exaltar a mulher não mais no pedestal vitoriano e, de todas as formas, machista que se tinha na poesia clássica e, talvez por desorientação, acabavam exagerando ao compará-la ao homem. (Minha opinião é, comparem as semelhanças e respeite as diferenças, afinal, são elas que importam)
Em 86 havia ainda gente no Brasil que se chocava com uns punkzinhos de supermercado, gente pacata, reduto de onde Eduardo teria vindo. Hoje é difícil, porque tudo já foi tentado (lembro de achar mais sinistro a gravata do Angus Young do que as suas fantasias de diabo...). Imagina quando 'emitivi' era 'emitevê', o quanto era relevante cogitar como seria o encontro da vertente que se auto-intitulava 'o futuro' e o 'modus vivendi' natural. Hoje os 'P.I.M.B.A.s' não tem muito poder de influência. Qualquer um pode pegar um DVD iraniano e torcer o nariz. Qualquer um pode entornar o cognac que quiser até onde conseguir. Digamos que hoje não há choque. Na música há. É como se a Mônica fosse uma 'descobridora' portuguesa dizendo pro índio Eduardo que galinhas eram deuses. Hoje, o índio diria 'legal, isso é muito ecumênico'.
Vejo essa música como uma crônica socio-cultural onde fica implícito que entre "rebeldia" (mesmo estereotipada) e simplicidade, independência caótica e convívio familiar, esoterismo organizado e agnosticismo expontâneo e até, por que não, mulher e homem, os segundos acabavam sempre cedendo aos primeiros. Mas isso tá temperado com minha visão-de-mundo, não sei se o Renato quis dizer isso. Só quis achar um meio termo entre a idolatria ao feminino e a revolta neo-machista. Acho que é bem difícil entender a História enquanto ela tá acontecendo...

P.S.: Minha mãe ouvia muito essa música e amava (não sou eu que sou pirralho, ela é que era "pra frente"...). Agora, vendo a revolta testoteronizada de nosso arguto articulista, entendo por que essa do Russo acariciava o feminismo exacerbado dela...

*fala sério, aqui no 'Brazil' a gente ama os clichês!!! É a nação mais estereotipada do mundo, e, por isso, esses 'P.I.M.B.A.s' são tão populares...

***E.O.F.

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