Escrito numa Segunda, 15 de dezembro de 2008.
Um dos argumentos que eu uso pra provar que eu não sou saudosista é que eu AMO a Internet, coisa que não existia, ou não era tão acessível, a algum tempo. Claro que baixar roms de jogos antigos e pesquisar sobre assuntos manjados não desmerece meu argumento, sou um historiador por natureza (bom... acho que no final isso significa saudosista, mas morro seco mas não me entrego!). Seria repetitivo redundante tecer um comentário longo sobre como a rede democratizou a informação... e a desinformação.
É sobre isso que eu quero falar. Lembro de ter lido que a Internet é a democratização da ignorância. Acho um exagero, mas os argumentos são fortes. Nas mídias tradicionais, a gente julga o que chega até nós pela credibilidade do meio. (Lembro de ter lido uma resenha de um CD da J-Lo em uma revista feminina que exaltava a virada no estilo dela, ressaltando o papel do hip-hop em sua "maturidade musical", enquanto uma revista especializada em música classificava o mesmo disco como "a mesma baba latina requentada com a habitual dose de hip-hop". Qual dessas é mais... verossímil???)
Na Internet "toda informação chega com o mesmo peso de verdade", seja uma corrente para enriquecer investindo R$ 1,00 ou um artigo da CNN. Mesmo assim, acho que aquele senso crítico que nos impede de cair em golpes no "mundo real" é indispensável no mundo virtual. Pelo menos eu acho. Não dá pra dar peso de Bíblia pra Wikipédia, embora ela seja um ótimo termômetro sobre a popularidade de certos assuntos. Há que se ter cuidado com Orkut, e os fórums podem confundir quando deveriam esclarecer. Pelo menos eu penso assim. Noves fora, a Net ainda é uma ferramenta única. Pelo menos eu achava.
Achava. Como não é minha intensão ofender ninguém, não vou ser específico, mas pa bo en mei pa bas. Alguém viu o Fantástico do dia 14 de dezembro? Viram o quadro Lan House, com Regina Casé*? Fantasmão? Kuduro na Bahia? Paredão? Eu, que sou usuário da lan house, me senti um alienígena. É pra isso que a rede serve? Regina, estamos falando da mesma coisa? É óbvio que o errado sou eu...
Pra acabar abruptamente, dou mais uma razão para os que me consideram um saudosista ultrapassado e anacrônico: cito trecho da música "A Revolta dos Dândis", do disco homônimo dos Engenheiros do Hawaii de 1987.
"...Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
que não passa por aqui
que não passa de ilusão"
(PS: Salvo por referências à Guerra Fria, as faixas 'A Revolta dos Dândis' (I & II) me parecem bem atuais)
*Para os que não viram, nesse dia ela salientava o uso da net na divulgação de artistas da periferia. Meu antifascismo ficou abalado. Me nego a acreditar que a cultura pop de periferia do Brasil e de Angola seja tão baixa.
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