I.
O pôr do sol não é tão bonito pra quem vai dormir na rua
Eu acho que isso é assim por causa da liberdade
Ser livre é não precisar viver e viver mesmo assim
Então, o que é isso? Quem se importa, quem se importa?
II.
Com o sangue frio e a alma em chamas
O medo é minha arma que nunca me falhou
Mas agora é ele que me açoita sob a luz da lua
A lua cheia não é tão romântica pra quem sente frio
III.
A lâmina, o projétil, o fogo, a borracha
São facetas ilusórias se a verdade não adianta
Vida é sangue, sangue é vida, realidade, substância
Se eu não ver sangue, quem se importa, quem se importa?
IV.
O luar me cobre, me afoga, me sufoca
Uns respiram a noite, outros farejam a morte
Quanto a mim, preciso acabar com isso antes que o sol nasça
O nascer do sol não é tão bonito pra quem dormiu na rua
V.
Estou aqui de joelhos sem orgulho nenhum
A morte não é pior que a perda de um passado
O asfalto ainda quente, haverá um céu sobre minha cabeça?
Um céu noturno de verão, quem se importa, quem se importa?
VI.
"E o amor?", alguém me perguntaria agora?
Se foi o amor que me colocou nesta roda viva louca
Se foi o amor que me roubou a fera que me protegia
Se foi por amor que aqui a deixei, e aqui ela me falta
VII.
Sinto saudade de quando "agora" era um medo do futuro
Solidão era ninguém, um irmão era alguém
Mas veja pelo lado bom, estou vivo para sofrer tudo de novo
O nascer do sol não é tão bonito pra quem não dormiu.
—X—X—X—
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